Vale a pena visitar a Serra do Amolar?
A Serra do Amolar não é um passeio convencional de fim de semana nem uma atração para quem viaja com orçamento apertado. É uma expedição para uma área remota de 300 mil hectares na fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, separando Corumbá de Cáceres.
O custo é o primeiro filtro real para decidir a viagem. O gasto médio gira em torno de ao menos R$ 1.000,00 por dia com tudo incluso, e os pacotes de expedição estruturados chegam a R$ 7.320 por pessoa (valor praticado à vista ou parcelado em 12 vezes no cartão). Como a duração típica desse roteiro é de 6 dias, o investimento total é expressivo. Compensa para quem busca isolamento genuíno e foco total em vida selvagem, mas não faz sentido para quem planejava apenas um bate-volta rápido a partir da cidade.
Melhor época para ir
A época das vazantes, entre julho e setembro, concentra as condições ideais para o avistamento de animais. Conforme o nível da água baixa, a circulação da fauna fica mais previsível nas margens e nos canais, facilitando a observação.
Nesse período, as chances de registrar a fauna pantaneira aumentam bastante, incluindo espécies de grande porte e a avifauna local:
- Onça-pintada
- Anta
- Tamanduá-bandeira
- Ariranhas
- Capivara
- Mais de 400 espécies de aves registradas
O que esperar da estrutura e dos passeios
As viagens operam com hospedagem no estilo lodge. Não há hotelaria convencional nem vilarejos com comércio por perto. As atividades no local são articuladas pelo programa de turismo Amolar Experience, que organiza a exploração por terra e água.
A geografia local destoa da planície pantaneira habitual: são 80 km de extensão de serras com pico de altitude ultrapassando 950 metros acima do nível do mar, cercadas por três grandes lagoas: Lagoa Mandioré, Lagoa Gaíva e Lagoa Uberaba.
A rotina diária inclui:
- Navegação pelo rio Paraguai e por corixos estreitos em barcos a motor
- Caminhadas em trilhas abertas na mata
- Deslocamentos e paradas estratégicas, como o trajeto até a RPPN Acurizal
Como chegar e logística
O acesso exige planejamento prévio de transporte, já que não existem estradas terrestres cortando a serra. Corumbá funciona como a principal porta de entrada, embora Porto Jofre, no Mato Grosso, também sirva como ponto de partida.
A dinâmica do deslocamento envolve etapas longas:
- Chegada a Corumbá: é possível voar até o aeroporto da cidade pela companhia aérea Azul. Quem desembarca no aeroporto de Campo Grande precisa encarar um trajeto de carro de 5 horas até Corumbá.
- Trecho fluvial: de Corumbá até a serra são 253 km de distância fluvial pelo rio Paraguai. O percurso em barco a motor leva 5 horas de navegação ininterrupta.
- Chegada a pontos isolados: o trajeto de barco a motor da cidade mais próxima até a RPPN Acurizal também consome cerca de 5 horas.
Por causa desse tempo de deslocamento náutico, o primeiro e o último dia de qualquer roteiro de 6 dias acabam dedicados quase que exclusivamente ao transporte.