Fundada em 1737 como a povoação pioneira do Rio Grande do Sul, a cidade de Rio Grande fica no extremo sul do litoral gaúcho, na transição estratégica entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Sua personalidade é definida pela ligação histórica com a navegação e a pesca, reunindo um centro urbano antigo e uma costa marcada por ventos contínuos e grandes extensões planas. Longe do padrão de balneário tradicional, o destino atrai quem se interessa por patrimônio histórico, vida marinha, ecoturismo em áreas úmidas e rotas terrestres rumo ao Cone Sul. É uma viagem procurada por casais, famílias e viajantes independentes dispostos a conhecer paisagens abertas e ritmos menos agitados.
Quem visita a cidade costuma dedicar em torno de três dias à estadia, período comum também para viajantes que usam o destino como base a caminho do Chuí e do Uruguai, situados a três horas de carro. Para se deslocar, os visitantes recorrem a ônibus municipais, táxis e carros de aplicativo no perímetro urbano, alugam bicicletas para passear perto da orla ou utilizam automóveis próprios e alugados para alcançar pontos afastados. O roteiro frequentemente tem início no núcleo histórico, onde se destacam o Mercado Público de Rio Grande, com bancas de peixes e camarões frescos, e o Museu Oceanográfico, ligado à FURG e voltado à pesquisa da vida marinha. Dali, rotas curtas de barco pelo estuário alcançam a Ilha da Pólvora e a bucólica Ilha dos Marinheiros, que mantém traços rurais e uma capela do século dezenove.
Em seguida, o percurso segue para a Praia do Cassino, conhecida pelos 220 km contínuos de areia firme que permitem o trânsito de veículos à beira-mar e abrigam a carcaça encalhada do Navio Altair. Na extremidade da praia, o passeio de vagoneta nos Molhes da Barra leva os visitantes sobre trilhos pelos quatro quilômetros de pedras que avançam mar adentro. Para encerrar, muitos reservam uma descida pela BR-471 até a Estação Ecológica do Taim, área de banhados protegidos com visitação mediante agendamento prévio, mas cuja fauna pode ser observada já às margens da rodovia. Com tempo mais quente e seco entre setembro e maio, a experiência equilibra o peso histórico pioneiro com a imensidão da natureza costeira gaúcha.